Funk: Cultura do Estupro

Oi, colegaxxx, senta que lá vem problematização!

Vamos debater hoje sobre um assunto que sempre gerou muita polêmica, e continua gerando atingindo diversas camadas sociais. Tentei não entrar no assunto mas é inevitável! Ouço funk desde muito nova, acompanho o movimento do funk (até mesmo como manifestação cultural), o crescimento, e até mesmo o embranquecimento do funk, e quem me conhece sabe bem que é um dos assuntos que não costumo debater, aliás, é um tema complicado e um ambiente muito hostil. Mas, falaremos de funk.

O funk sempre teve músicas com letras machistas, obscenas, misóginas, pornográficas, e hiper sexualizadas e a depreciação da mulher na cena do funk é constante, enquanto que as mulheres sempre estiveram no centro da discussão, desde o foco das letras musicais, até as dançarinas de funk nos clipes e a exposição e objetificação do corpo feminino. Fato é que de um jeito ou de outro, as músicas não agradam as mulheres, nem um pouco. Por mais que ao longo dos anos o funk tenha se expandido e diversificado e uma parcela das músicas tenham sido mais “discretas” em suas letras, as letras violentas e opressoras não diminuíram, muito pelo contrário, em pleno 2018, ainda há letras que desagradam não só aos ouvidos.

Pois é, o ano começou agitado no mundo do funk e acerca dele inúmeras problematizações. Vai faz a fila, música de Mc Denny, lançada em 16 de Agosto de 2017, que só teve seu boom recentemente, já chegou levantando questões; no trecho:


“vou socar na sua ….. sem parar,
e se você pedir pra mim parar,
não vou parar”

Nos questionamos sobre a cultura do estupro. Sim, estupro. Seguindo o raciocínio a partir do momento em que uma mulher diz não, é onde acaba o consenso, ou a permissão e ali torna-se violência sexual, certo? Mas, calma! Como se não bastasse,  tudo pode piorar:

Só uma surubinha de leve
Surubinha de leve
Com essas filha da puta

Taca a bebida
Depois taca a pica
E abandona na rua

O cantor Mc Diguinho, que já possui uma lista de letras pornográficas, lançou recentemente a música intitulada “Só surubinha de leve!”; no começo achei que a música era apenas um meme, até ver a repercussão da mesma. A grande questão por trás é que a música, além de trazer termos depreciativos a mulher, faz apologia ao estupro, especificamente neste trecho.

Yasmin Formiga

E, a pauta de que a música poderia tornar-se Hit do Carnaval, levantou debates acerca do tema. Logo em que época, né? [Já não lutamos o suficiente para não sofrermos assédio dentre tantas outras violências no carnaval…]

Todavia, vamos além da música, vamos a implícita cultura do estupro!


Não é só uma problematização e sim uma consciência sobre o assunto, que precisa se debatido.

O funk influencia diretamente o estupro? Devemos pensar que mesmo que as letras de funk não influenciam diretamente no comportamento do indivíduo, não o tornem um estuprador, a partir do momento em que uma sociedade de raízes machistas reproduz uma música e cantam com satisfação, mesmo que sem intenção, as pessoas propagam a letra, banalizam e fetichizam a situação. Não pode ser normal embebedar uma mulher, abusar sexualmente dela e depois abandoná-la na rua como se fosse um objeto ou lixo. E é isso que a música revela.

Acredito que determinadas músicas, quando interpretadas por um indivíduo que não possui consciência de determinados problemas como o estupro, incentivam e encorajam o comportamento do sujeito. E pensemos o seguinte, quando um Mc canta suas letras, em sua maioria, ele está expressando aquilo que vive em sua realidade, no seu cotidiano.

o mais novo estuprador

Fato é que as letras de Funk são espelho da sociedade machista e erotizada que fazem forte apelo sexual, e não devemos permitir que a misoginia seja banalizada. Não vou aqui defender um ou outro, e cabe também, fazermos uma análise não só do que está explícito, mas sim, do que está implícito nas letras musicais, não só no Funk, a cultura do estupro está presente também na MPB, no Rock, no Pagode, e até no sertanejo de raiz e universitário. E, não estamos imputando um crime a um estilo musical, mas sim, responsabilizando-o em parte. Não acho que o funk deve ser criminalizado, o funk é só um estilo musical, quem deve ser responsabilizado são desde quem cria as letras musicais, passando por quem produz, até chegar nas massas, onde vende-se a mulher e sua exposição como um produto de péssima qualidade.

Não é preciso ir muito longe para, em pleno século XXI, ler notícias diárias de assédio sexual, estupro, pedofilia, violência doméstica, e segue uma lista extensa de crimes cometidos contra mulheres. Não vamos permitir que músicas como esta continuem passando despercebidas, se tornando algo tolerável e aceitável. Podemos ter sim letras melhores, que não necessariamente precisem diminuir, desvalorizar e ou humilhar as mulheres. E acredite, músicas como estas ajudam a aumentar os dados de feminicídio, só não vê quem não quer. Se não lutarmos contra, não nos manifestarmos, seremos julgadas como acomodadas que não gostam mas, não se posicionam contra. E, quem cala consente! 

E você, acha que há correlação entre o  Funk e a Cultura do Estupro? Espero que tenham gostado, compartilhem com as (os) colegas. Voltem sempre. Até logo! ♥

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ERA APENAS UM GAROTO VENDO OS FOGOS

26173763_10215003728068814_5750844792654661175_oUm menino negro, de nove anos, vestia uma bermuda, aparentemente sozinho no mar da praia de Copacabana, admirando incrédulo os fogos de artifício comemorando a chegada do novo ano, pelas lentes de Lucas Landau, levantou momentaneamente inúmeros debates. Uma imagem linda de um garoto contemplando a beleza dos fogos de artifício.

Quantas interpretações cabem em uma única imagem? Amantes da fotografia diriam que é o click perfeito, a melhor imagem para se começar um ano. Mas não foi o que a maioria dos que viram a foto interpretaram, aliás, a foto que correu o mundo logo nas primeiras horas do ano gerou inúmeras interpretações, uma mais mirabolante que a outra. Enquanto o garoto observava os fogos, em outro plano, uma multidão vestida de branco tirava fotos e comemorava a data com seus amigos, familiares… fazer uma leitura da foto, ou até mesmo, tentar entender o contexto da mesma seria impossível, já que nenhum de nós viveu aquele instante, mas em um todo, a ‘empatia’ gerada pelos internautas vem da insignificância e o auto ego em que vivem as pessoas na atualidade.

A foto carregada de subjetividade trouxe uma repercussão, ou momento de reflexão para alguns, mas, o que realmente choca, é que [mesmo que não seja o contexto real da foto, ou até da vida do garoto], as pessoas notaram a desigualdade no mundo. E, perceberam tarde. Uma das piores, se não a pior das interpretações, e foi ótimo vê-las correr na internet, pois sabemos exatamente como um branco nos enxerga, foi a de marginalizado, pobreza, miséria, abandono, exclusão… calma, ERA APENAS UM GAROTO VENDO OS FOGOS, dentre as inúmeras interpretações feitas, pelo fato de o garoto estar sozinho [no mar] vendo os fogos de artifício, ousaram dizer que ele não possui família. NEGRO TEM FAMÍLIA, pasmem. Vamos lá:

  • Bem-vindo ao século XXI, ano 2018 e ainda mais, seja muito bem-vindo ao Brasil, um país em que há desigualdade em todos os seus extremos, aqui há exclusão social.
  • A imagem não possui qualquer vínculo político, logo, não representa a esquerda, muito menos a direita. E quem a interpretou assim precisa rever alguns conceitos, como arte, por exemplo.


As fotos feitas por Landau carregam com elas, mais do que metadados e cores, trazem consigo um bom olho do fotógrafo, toda a ideologia de quem está por trás das lentes e da capacidade da arte em revelar o ser humano em suas nuances.  ninguém além do garoto e de Lucas, saberão explicar aquele momento.

“Roland Barthes, em seu livro a Câmara Clara, definiu e diferenciou os conceitos de PUNCTUM e STUDIUM, associados à leitura de uma fotografia. STUDIUM é um interesse guiado pela consciência, pela ordem natural que engloba características ligadas ao contexto cultural e técnico da imagem; já o punctum tem caráter subjetivo, é um interesse que se impõe a quem olha a foto, diz respeito a detalhes que tocam emocionalmente o espectador e variam de pessoa para pessoa. Tudo isso depende de uma história pessoal e das experiências que tivemos na vida.”

Enquanto a foto repercute, que cada um de vocês aproveite o início do ano para refletir sobre, pois existem diversas realidades de vida, nós temos que aprender a lidar, conviver e respeitar cada uma delas. E não, não temos que ter empatia, compaixão, dó ou pena pela foto, vamos ter tudo isso e mais um pouco pelas pessoas, no cotidiano, tendo atitudes reais uns pelos outros, que possamos sair da casinha, da zona de conforto e enxergar outras realidades e vivências além das nossas, além das fronteiras.

Mas, e pra você, por que a foto gerou tanta repercussão?

Esse ano vai ter muito assunto para debatermos e problematizarmos, então, espero que tenham gostado, compartilhem com as (os) colegas. Voltem sempre. Até logo! ♥ AH, e claro, UM FELIZ ANO NOVO! 

 

Invisibilidade: Negros na TV

Oi, colegaxxx, vamos dialogar?

Você cresceu vendo seus pais e se inspirando neles, e muito do que você se tornou foi influência deles, não é? Agora imagine o que um meio de comunicação que influencia milhares de pessoas pode ou não fazer… a falta de representatividade vem sido suplicada pelo povo negro a anos, e hoje falaremos especificamente da nossa queridinha TV.

Há muitos anos a cara da TV era branca, magra, de cabelos lisos, e enquanto isso, o povo negro tentava se enxergar e se situar naquele âmbito social. Tenho debatido constantemente esta questão após perceber que minha avó só conhece duas jornalistas negras, e instintivamente, me compara a elas – duvido você adivinhar quais são – e mesmo assim, só as conhece porque elas aparecem na TV. Logo, virei a Maria Júia Coutinho, Maju. É por exemplos como este que reforçamos o dizer que representatividade importa sim!

Me diga você quantos negros você vê na TV por dia? Considera um % baixo? A representação dos negros na mídia, nas propagandas, nos jornais, nas novelas brasileiras, etc., ainda é escassa, e não é preciso ser nenhum expert para tirar estas conclusões. Com relação aos papéis dos negros em novelas, quando não é escravo, ainda são profissões subalternas – segurança, babá, motorista, empregada – ou então, bandido (com raras exceções como na atual novela das 21h que falaremos posteriormente). Desde criança, estes atores eram as referências que os meios de comunicação de massa empregavam como papéis dos negros na sociedade.

E, cabe aquele ditado: se está na TV é verdade né? Sim, pensar sob este aspecto é importante, se todos os meus semelhantes estão nesta posição, é provável que essa venha a ser a minha também; para adultos este discernimento é completamente possível, mas, e para uma criança negra se ver em tais papéis? Pois, infelizmente, muitas delas reproduzem estilos, look’s e até comportamentos que são exibidos na TV. anigifO fato de termos profissionais negros famosos na TV, além de Taís Araújo e Lázaro Ramos, é uma conquista que vamos ter; me lembro de assistir e aplaudir a belíssima atuação de Érika Januza na minissérie da TV Globo, Subúrbia; e fiquei extremamente feliz ao ver as recentes lágrimas de Jonathan Azevedo recebendo o prêmio de ator revelação no Melhores do Ano no Domingão do Faustão (que ainda sim, com todo seu talento seu papel na novela era de um bandido), são mudanças que estamos começando a ver nas telinhas, da forma correta…

Temos atores e atrizes negros, temos Lázaro Ramos apresentando um programa na Globo, temos Zileide Silva, Heraldo Pereira, Luciana Barreto, Dulcineia Novaes, Ethel Correa (TV Alterosa), além de tantos outros jornalistas realizando trabalhos incríveis diariamente; bem diferente de um tempo atrás, crianças já se enxergam e se reconhecem nas telas das TV’s do Brasil à fora. É óbvio que estamos progredindo, porém, queremos mais do que a Dove fazendo comercial racista, queremos mais que Ludmilla, muito mais do que Carol Conka com Multitelê ou Avon… Por isso, me preocupo em mostrar insistentemente para minha avó que existem inúmeros outros negros profissionais e talentosíssimos, além de Glória Maria e Maju Coutinho, e corrigi-o a sempre ao referir-se a Maju como a ‘queridinha do Bonner’, menosprezando assim, totalmente, a profissional que é Maria Júlia. PRETOS NO TOPO SIM!suburbia

De outro ponto de vista podemos notar o quanto é ruim essa invisibilidade dos negros, somente ter representatividade não basta, pois, a representatividade feita de maneira errada consolida o preconceito, a hiper sexualização da mulher negra, reforça o racismo estrutural e tantas outras questões. Isto fica claro pois nenhuma criança nasce não se aceitando, julgando-se ou querendo alisar o cabelo; se na TV os negros tivessem reforçado o quão linda é a sua cultura, o quão importante é amar o seu cabelo e a sua raça, a busca pelo estereótipo apresentado na TV não teria ocorrido, logo, hoje não teríamos essa revolução de empoderamento negro que está ocorrendo… amor próprio, respeito, exaltação, são coisas que nunca vimos ligados ao negro na TV.

A luta pela igualdade racial em espaços como nos meios de comunicação vem tendo retorno positivo, mas ainda temos muito a alcançar, é um longo caminho que precisa ser construído da forma correta. Precisamos eliminar o racismo primeiramente, dentro das empresas, como a TV Globo por exemplo, e assim, cada vez mais veremos negros ocupando lugares que são seus por direito, seja tanto nas editorias, com papéis protagonistas em novelas e séries, quanto na apresentação de programas ao longo da grade das emissoras; queremos que o cenário branco mude, e logo. Acreditamos que haverá mudanças radicais, mas precisamos fazer nossa parte, mesmo que com atitudes individuais. Enquanto isso, nós negros temos que nos orgulharmos de quem somos e mostrar o contrário do que a TV impõe, temos que chegar lá, pois podemos e merecemos. Vamos seguir lutando por respeito e o fim da discriminação. Poder para o povo preto. 

Espero que tenham gostado, compartilhem com as (os) colegas. Voltem sempre. Até logo! ♥

Crespo: Quando não tá preso, tá armado

Oi, colegaxxx, vamos dialogar?

O racismo não existe… ao contrário do que muitos pensam, ele existe e está mais vivo do que nunca. Após muitas transformações, e, hoje, uma onda de empoderamento negro, ainda sim o vemos em todo lugar. Jamilly, criança negra de míseros oito anos, acredito eu, sofreu o maior dos ataques. Um atentado bárbaro a sua autoestima, onde garotos a hostilizaram a poucos metros de casa com injúrias raciais e, posteriormente, cortaram o cabelo da menina alegando que precisavam de Bombril… sim, isso mesmo, Bombril. Perdão pela introdução, mas creio que independente de qual tipo seja seu cabelo, você não gostaria de tê-lo cortado contra a sua vontade, ou gostaria?9c51e49323f8dff37900e0fda05a602c

O tipo capilar em questão é do tipo 4c, afro, ou seja, crespo, o vulgo Black Power. O cabelo como você pôde perceber acima, fez com que Jamilly sofresse um racismo específico, pois, na sociedade, cabelos com tais características não são tão aceitáveis quanto os cacheados, aprenderam a apreciar o cacho, mas desprezam o crespo. A revolução, não só capilar, que tem ocorrido, trouxe consigo muitas marcas opressoras como a hierarquização capilar, que distingue entre 1 e 4 as texturas capilares, porém, mais que isso, entre bom e ruim um cabelo por sua estrutura; pois é, volta e meia me pego julgando o meu próprio cabelo como não sendo ‘bom’… além de uma desconstrução e uma auto aceitação do seu cabelo natural, ainda assim, muitas pessoas tem de passar pela aceitação estrutural de seus fios. Uma batalha duplamente difícil. Principalmente, quando para muitos, o seu fio não passa de Bombril. Falo com propriedade pois, benditas eram as épocas de festa junina onde, no interior, era comum a brincadeira de rodar Bombril e inevitáveis eram todas as ‘zoações’ acerca do meu cabelo.

Fato é que ninguém é obrigado a gostar, muito menos achar bonito, aliás, – pouco realmente importa a opinião dos outros e ela não deve interferir na nossa autoestima e modo de vida – porém, que não usem este argumento de simplesmente gostar para legitimar discursos e atitudes racistas, ou atacar uma criança… até porque gosto é construção social, logo, a partir do momento em que uma criança presume que um cabelo é ‘duro’ ou parece ‘Bombril’, em algum momento lhe foi ensinado a respeito.

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Dito tudo isto, algumas considerações…

Estamos cansadas de escutar determinados comentários como “Crespo quando não tá preso, está armado”, “É a prova d’água? ”, “Dá para lavar? ”, “Que cabelo duro”, “Quanto tempo demora para desembaraçar” –  acredite, comentários assim não nos acrescentam em nada -. E estes são só alguns dos muitos que reproduzem e perduram discursos cheios de preconceito e ódio. Mas…

Vai ter cabelo ‘pixaim’, vai ter cabelo armado (muito bem armado contra o seu preconceito), vai ter VOLUMÃO, vai ter cabelo de bruxa, vai ter até arapuca (como disse minha vó outro dia) e vocês vão ter que ACEITAR e RESPEITAR!

Crespas, cacheadas, onduladas ou lisas… se sintam lindas NATURALMENTE SENDO VOCÊS! Libertem-se do padrão, mesmo que ele seja implícito. Assuma o SEU cabelo, com as suas especificidades e singularidades; a menos que você queira, pare de comprar produtos para ‘abaixar volume’, ‘abrir ou fechar o cacho’, respeite ao seu cabelo como a si própria, olhe no espelho e se dê ao direito de se sentir MARAVILHOSA ao seu modo. Repense e reavalie seus gostos, suas atitudes, suas impressões de si, pois somos o reflexo daquilo que pensamos, o que você enxerga em si, transparece aos outros, de dentro para fora.

  1. Acima de tudo, sinta-se bem.
  2. Amor próprio sempre!
  3. Você não está sozinha.

“Gostando ou não gostando, guarde sua opinião só, e somente só, para quem a pedir, no mais, tire seu gosto, seu preconceito e sua opinião do nosso cabelo que nós vamos passar! ” A grande luz deste post é mostrar que um simples gostar, deixa marcas terríveis em uma criança inocente, bem como um simples gostar, perpetua um pensamento em uma sociedade de racismo estrutural. E, apesar de ser criança, Jamilly já consegue entender o que é o racismo, só não ainda, o porquê dele. Se é que existe porque…

Fica a reflexão, espero que tenham gostado, compartilhem com as (os) colegas. Reproduzam o bem, e voltem sempre. Até logo! ♥

Mulata não. NEGRA!

Oi colegaxxx, vamos dialogar

É engraçado pensar que o que aparentamos ser para as pessoas, nada mais é do que o que aparentamos ser para nós mesmos. Você com certeza não se espanta ao ouvir de um gringo que o Brasil é só “Futebol, carnaval e bunda”, mesmo que estes dois últimos estejam intimamente ligados a mulher negra. O que dizem a nosso respeito é apenas o reflexo do que nós pensamos e afirmamos. Através do vídeo da Nátaly Neri intitulado “A mulata que nunca chegou”, do canal Afros e Afins no TEDx, percebi que eu fazia parte de um grupo de mulheres que cresceu reafirmando um estereótipo no imaginário masculino brasileiro.

“Mulato.” (mu.la.to) Def.:  adj. s.m.1. Que descende de brancos e negros. 2. Mestiço de negro, índio ou branco, de pele morena clara ou escura; pardo ou fulo.  s.m. 3. Pessoa mulata.

A mulata que nunca chegou é aquela que as mulheres negras são estimuladas a esperar… mas esperar o que? Até quando? Por que? A mulata é aquela que Aluísio Azevedo já descrevia como a mulher mulata brasileira, com sua riqueza de detalhes no personagem de Rita Baiana em O Cortiço. É a mesma que o brasileiro tem como símbolo sexual. É a caracterizada por seu corpo magro curvilíneo, seus seios fartos, lábios carnudos, isso sem falar na bunda, é a personificação da sensualidade. Sempre associada à sexualidade e ao incitamento ao sexo. A mulata é todo tipo de injunção estereotipada e carnavalizada de uma sexualidade exagerada. A mulata para o brasileiro, é a ‘mulata Globeleza’ evidenciava apenas pela beleza negra que é exposta para divulgação na época do carnaval como peito, bunda e samba, na tela da Rede Globo.

Mulata? Para mim ficou claro a idealização sofrida por mulheres negras em uma destas festas de família, pois sempre fui apaixonada pelo carnaval e como toda criança, reproduzir o samba das passistas e rainhas de bateria na frente da TV era algo natural. Mas, somente após anos se tornou compreensível uma frase que eu havia escutado ainda pequena: “você vai ser a nova Globeleza”. Me tornar Globeleza, era lá que eu devia chegar, pelo menos para alguns familiares e amigos. Aliás, tinha para mim que por ser negra, ser Globeleza era o patamar mais alto que eu podia chegar. Durante anos da minha vida também esperei que a mulata chegasse para que eu pudesse me tornar a mulher que haviam me prometido. Cá para nós, exibir seu corpo seminu rebolando na televisão tendo como viés a sexualização, na sociedade brasileira, é algo ‘comum’. Mas não deveria!!! A imagem carnavalesca da mulher mulata é uma reprodução, machista e racista, de padrões comportamentais historicamente construídos. O mito da mulata sensual é projetado para todo o mundo, reproduzindo essa ideia de que as mulheres negras devem saber sambar e são extremamente sensuais.

Poderíamos citar ainda a mulata presente em suas diversas formas através da música, das pinturas, dos livros, dentre tantos outros exemplos em que a mulata é ‘exaltada’… mesmo tendo todos estes casos, só agora posso entender todo o peso que o simples termo pejorativo mulata carrega. Para mulheres negras, o termo mulata é muito mais pesado, diretamente ligado ao colorismo e a questão de ‘miscigenação’, é comum escutar frases sexistas do tipo: “você é uma mulata muito bonita”, “você vai ser uma morena linda”, ou até mesmo, “você é mulata, tem que saber sambar”.

“Vão chamando de mulato
Ou de pardo e bronzeado
Dizem que é cor de jambo
Tom moreno e amarronzado
Chama até de chocolate
Nesse torpe disparate
De racismo nomeado.”


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Não sou tuas ‘nêga’!

Ainda, temos por trás deste termo todo um lado negativo que faz com que mulheres negras, principalmente, aquelas em que no caso a mulata não chegou, odeiem seus corpos. A sociedade que impõe a mulata, nega veementemente a aceitação, o amor próprio e a autoestima feminina. O fato de ser negra, porém, magra demais, ou gorda, e não ter o corpo padrão esperado, causa frustração, causa ódio. É horrível a forma implícita na qual ocorre a objetificação, a hipersexualização e a desvalorização da mulher por trás de uma ‘mulata’. Socialmente, a mídia tem parte nesta reafirmação, ela inviabiliza a construção da identidade da mulher negra, fere sua autoestima e perpetua o racismo e não é preciso ir muito longe para ver exemplos claros desta situação.

Somos mais do que ‘A cor do pecado’. Somos mais do que a “Nega Maluca”. Somos mais do que ‘mulata do carnaval’. Somos mais do que ‘exóticas’. Somos mais do que ‘eróticas’. Nosso papel não é atrair gringo. Não é pelo corpo que se reconhece uma verdadeira negra. Não confunda a sensualidade de mulheres negras com vulgaridade, até mesmo porque não somos as negras provocantes que você tem em mente. Merecemos respeito e temos o direito de ser e estar, e isso inclui ser uma mulher negra, mesmo em uma sociedade de racismo estrutural. Parem de idealizar nossos corpos, parem de nos inferiorizar. Me deixe amar quem eu sou, pelo que sou, independente do seu esteriótipo.

Mulher negra, saiba:

  • Você é muito mais do que a imagem que foi instaurada na sociedade
  • O seu corpo não define quem você é.
  • Você não é obrigada a saber sambar
  • Não ter todas as características de uma ‘mulata’, não te faz menos negra.
  • Não deixe jamais ser a mulata exportação, ou a mulata globeleza. Não seja manequim de vitrines impostas.
  • Ame seu corpo! Ame-se!

Morena, pretinha, neguinha, bronzeada, preta, nega,

NÃO. Me chame de NEGRA!

E, por mais que para você o termo não soe de forma ruim, preocupe-se com quem está a sua volta e que terá de interpretá-lo. Não olhe apenas para o seu umbigo, não pense que tudo é mimimi como dizem por aí, meça as suas palavras antes de verbalizar, procure a respeito e tenha respeito.

“Porque deixar de ser racista, meu amor,
não é comer uma mulata!”
(Mulata Exportação – Elisa Lucinda)

Espero muito que tenham gostado, reflitam e compartilhem com as (os) colegas. Até logo! ♥

Consciência Racial NEGRA

Oi, colegaxxx, vamos dialogar?

19 de novembro de 2017, véspera do Dia da consciência negra, este ‘comemorado’ no Brasil dia 20 de novembro por ter sido o dia do óbito de Zumbi dos Palmares, que lutou pela liberdade de culto e religião, bem como pelo fim da escravidão colonial no Brasil. Apesar disso, o líder também ficou conhecido pela severidade despótica com que conduzia Palmares, onde, inclusive, havia um tipo mais brando de escravidão. De todas as maneiras, não admitia a dominação dos brancos sobre os negros e, portanto, tornou-se o maior símbolo pela liberdade dos negros da história brasileira.

A data foi estabelecida pelo projeto Lei n. º 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidente Dilma Rousseff.


Chegamos a mais um dia da consciência negra com inúmeros registros de casos de preconceito racial, neste país onde há o mito da democracia racial que nos faz crer que essa luta não tem sentido… e sim, quase 2018 e ainda precisamos falar diariamente do povo negro e de sua resistência, ainda não aprendemos. Mas hoje não vamos falar sobre estes casos, vou contar para vocês o que foi a minha consciência racial, a minha consciência negra!

Nas palavras de Luís Carlos da Vila: “é preciso a atitude de assumir a negritude para ser muito mais Brasil!”. Minha família sofre do tão falado Colorismo e por conta desta “miscigenação”, cresci em um ambiente onde o racismo era velado, como em toda a sociedade. O racismo ou o repúdio aos negros se manifestava de forma implícita como em apelidos de “pretinha, neguinha”, ou até mesmo a música de Elis Regina, com o trecho: “nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia”. Como relatei no meu post sobre transição capilar, foi difícil assumir minha negritude perante minha família pois eles me ‘protegiam’ de vivenciar o racismo externo, tentando me criar em um espaço relativamente saudável, porém, eu acabava vivendo o racismo interno. Por ser muito pequena e não ter noção do que era tudo isso, eu acabei crescendo em um meio sem representatividade, sem exemplos de negros.

Um dos disfarces da minha raça foi o cabelo, por culpa do embranquecimento imposto pela sociedade que aceitei durante muitos anos; usar o cabelo com química, escova e prancha, na minha cabeça, me deixava o mais perto possível da branquitude. Porém, a transição capilar trouxe a minha descoberta, a aceitação e a minha consciência. Com tudo, no início do ano, ocorreu a virada da chave, o grande momento da minha negritude, na possível entrada de uma faculdade… eu precisei afirmar para os outros que eu era negra e como nunca tinha feito isso nem para mim mesma, quanto mais para os outros, o primeiro momento foi de receio, mas acabei criando uma consciência de que, se nos papeis eu sou negra, fora deles não é diferente. Já havia escutado muito sobre cotas raciais, sobre essa ação, ou tentativa, de contra desigualdade num sistema que privilegia um grupo racial, e foi ao ter que utilizar as mesmas que eu percebi quem eu era e o lugar que a sociedade me via (não necessariamente o que eu me encontrava). Lembro-me que ouvi de um familiar a seguinte frase: “É, agora eles [o governo] são obrigados a dar bolsa para pobre, preto e índio”. Ela não mentiu ao dizer e eu sabia disso, porém, naquele momento ela me preparou para muito do que eu ia viver; foi ali que eu percebi que não sofreria racismo só na faculdade, mas sim, na vida. E engana-se quem pensa que ser negro em uma faculdade é apenas se afirmar na entrada da mesma… é ter sim que conviver com olhares nos corredores.

Mas, para minha sorte, ao entrar na faculdade conheci negros, e pasmem, mais do que eu tinha convivido toda a minha vida. Não conheci negras (Inclusive elas são as inspirações que me ajudam a mover este blog), conheci anjos, definitivamente, que me ensinaram diariamente o que eu era, como eu deveria lidar e o quão maravilhoso era ser negro.ee1nwpN8

Devo confessar que a partir do momento em que me aceitei como negra, passei a encontrar certas respostas para muitas das minhas perguntas, de certa forma, me tornei sim um ser humano melhor, mais evoluído. Volta e meia me pego reforçando certos preconceitos ao dizer por exemplo, “cabelo ruim”, mas já me sinto mais tranquila ao assumir para mim mesma que estou erradíssima em dizer isso.

Não seria hipócrita aqui de dizer que já sofri 90% dos preconceitos que a maioria de nós negros, sofre diariamente, sei que há muitas pessoas que já passaram o que talvez jamais irei passar. Recentemente, me deparei com uma situação que me fez perceber que tenho uma consciência negra, de que faço parte, de que pertenço a este grupo de pessoas, também sou parte da história e principalmente, das estatísticas. Sei que na melhor ou pior, oportunidade sofrerei sim algum tipo de preconceito; até porque, levante a mão quem nunca foi seguido por um fiscal de loja achando que você ia furtar algo…

Me doeu e me dói pensar que após tantos anos de resistência, ainda temos que nos preocupar e lutar diariamente contra certos problemas. Mas hoje me sinto extremamente feliz pois após 17 anos de total recusa da minha raça, este ano vou passar o dia da consciência negra, com a minha. Levei um tempo e precisei de ajuda para me ‘encaixar’ no meu lugar, para me entender negra e consequentemente levantar uma bandeira, mas eu tive interesse nisso, em mudar, em me descobrir.

Quem não quer enfrentar o racismo estrutural diz que a consciência é humana e que não existem raças para nos dividir mas tentar disfarçar o racismo com esse negócio de “consciência humana” é o mesmo que revigorar o mito da democracia racial e condenar o povo negro a outros séculos de exclusão e desigualdade. Há negros de todas as cores. Porém, há assim como eu, muitos negros que não sabem que são negros ou preferem se omitir diante do racismo com medo de que o mesmo não se volte contra ele. Mais do que necessária, a consciência negra é uma condição para impedir que nossa sociedade racista aponte do pior jeito a cor da nossa pele. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e o Dia da Consciência Negra nada mais é do que a forma, de nós demonstrarmos os sentimentos de pertencimento social e orgulho negro.

“TODA CONSCIÊNCIA SERÁ NECESSÁRIA, ENQUANTO A CONSCIÊNCIA HUMANA FOR PRECONCEITUOSA E RACISTA”.

Espero que tenham gostado, reflitam e compartilhem com as (os) colegas. Até logo! ♥

Palmitagem e casais afrocentrados

Oi colegaxxx, vamos dialogar?

No post passado falamos sobre a condição da mulher negra, de desfavorecida nas relações em geral, porém, o trecho a seguir do poema de Elisa Lucinda é o retrato do assunto de hoje. “[…]. Não adianta! Opressão, barbaridade, genocídio, calamidade, nada disso se cura trepando com uma escura. ”; Palmitagem, hipersexualização, relações inter-raciais e casais afrocentrados.

Sabemos que gostos são construídos socialmente, e que em nossa sociedade a maior parte dos relacionamentos são entre brancos, e sabemos ainda, do preterimento da mulher negra. Sendo a tendência de homens negros se unirem a mulheres brancas, e vice-versa, logo, a outra parte dos relacionamentos são inter-raciais; e muitas destas relações inter-raciais vão além de amor… pasmem, ainda nos relacionamos a base de interesse, e assim, entramos em dois tópicos importantes:

  1. Palmitagem

É um neologismo usado por mulheres negras brasileiras para se referir a homens negros cis hétero que estão envolvidos com mulheres brancas, principalmente por eles estarem numa posição de privilégio em relação à opressão de gênero, este privilégio, é que de certa forma, mesmo que por meio de interesse ou fins sexuais, os homens negros estão em posição de escolha, caso bem diferente das mulheres negras. “Branca para casar, negra para f.…”. Mas entenda, o problema não está na relação entre brancos e negros, mas sim, em como os mesmos são usados para evidenciar que o racismo não existe, ou em como as pessoas se esforçam, através do amor, para reduzir o mesmo, sendo que não é bem assim. Muitos negros se relacionam com brancas por posições de destaque, bem como ainda correlacionamos o sucesso, lucro ou fama em carreiras a um maior status social, que acreditamos prevalecer no branco. Entretanto, o amor que designa relações românticas e afetivas tem cor sim.

  • Não romantizem a miscigenação, pois não devemos nos esquecer de como tudo isso começou.
  • Não defendam que relações inter-raciais são perfeitas com menos racismo, pois NÃO são; muito pelo contrário, assumir uma relação inter-racial é ter que conviver com o racismo velado o tempo todo. Como um simples ato de andar de mãos dadas na rua com alguém que seja diferente de nós pode fazer com que passemos por olhares intimidadores. Esses olhares atingem as duas pessoas, mas não do mesmo modo para cada uma delas.
  • E mesmo que na sua relação inter-racial as coisas corram bem, saiba que TODO branco é racista e isso é um fato; não vanglorie seu relacionamento só porque o seu, supostamente, deu certo.
  1. Hipersexualização

Quando você se depara com a imagem de um casal de raças diferentes, não necessariamente hétero, o que passa pela sua cabeça? Pois bem, no imaginário de muitas pessoas virão coisas como: “[se o homem for negro] avantajado”. Então colega, se você já quis “pegar um negão” só para ver o tamanho da cobra, está na hora de amadurecer um pouco. Não que seja proibido, tá? Cada ser humano tem uma coisinha chamada consciência, mas é preciso explicar aqui que tendo atitudes como esta você apenas reforça a hipersexualização do homem negro, a objetificação, o fetichismo histórico, e acaba reduzindo o indivíduo a apenas isso: o estereótipo sexual; é como se nenhuma virtude, além do vigor sexual, fosse digna de reconhecimento.

  • Negro [e o seu corpo] não é seu troféu para mostrar aos amiguinhos o ‘homão/negona’ que você tem em casa
  • Você não estará exaltando um negro dizendo o quanto ele parece ser bom de cama. Demonstre interesse real, que faça sentido, que perpasse o imaginário social, que vá além dos estereótipos.

Casais afrocentrados – “Pode me trocar por qualquer uma, só não pode ser branca”.

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Lázaro Ramos e Taís Araújo

Relações afrocentradas são aquelas que envolvem escolha de e entre parceiros negros, podendo ser de diferentes gêneros e orientações sexuais. O gosto que nos foi imposto culturalmente e socialmente, que por exemplo, ao ligarmos a TV, ou vermos propagandas, anúncios, veremos casais inter-raciais, nos fazem acreditar que são as melhores relações, porem, quantos casais pretos felizes a mídia te mostra? E sabe aquela novela em você fica SUPER animado ao ver um (a) personagem negro? Não se engane! Ele terá um papel de pouca visibilidade e formará um ‘par romântico’ com um branco.

Dizem ainda que geralmente não nos sentimos atraídos por negros, pois enxergamos neles o que não queremos enxergar em nós; a tentativa da negação da origem. Pensamos também que por sermos inferior, obviamente, para equilibrar as relações, devemos procurar alguém superior, e acabamos caindo no erro… então partiremos do pressuposto de que antes de amar um negro temos que amar O negro, começando por nós mesmos; e o povo negro ainda não aprendeu a se amar. 

A atualidade da discussão sobre o tema traz outros assuntos como solidão afetiva entre mulheres negras trans, mulheres negras lésbicas e também homens negros gays, que foi uma reflexão linda que eu tive e que me fez chorar ao ver o filme Moonlight (que se você ainda não viu, está esperando O QUE?).

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Moonlight – conta a história de Chiron, um garoto negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, crise de identidade e a tentação do universo do crime, o mesmo e termina com o reencontro, onde sente-se uma enorme gama de sentimentos.

O problema é que devido a esses e inúmeros outros fatores que podem ser listados aqui, os negros tendem a não se relacionar com outros negros. Porém, a cada dia os negros têm se fortalecido e se amado, e isso têm gerado inúmeros casos de relacionamentos afrocentrados, principalmente na vida real, e olha colega, dá gosto de ver. “[…] Faço questão de botar no meu texto que pretas e pretos estão se amando.” Claro, os relacionamentos afrocentrados assim como todos os outros, não são um mar de rosas, um conto de fadas, mas é lindo apaixonar-se por você e sim, pelo seu semelhante.

E vejamos, por mais que seja lindo todo esse movimento de empoderamento, de coragem e aceitação, simplesmente achar que negros devem se unir com negros, impor que isso é a perfeição e que assim vamos ‘acabar com o racismo’, é não entender as subjetividades que envolvem um relacionamento e os indivíduos envolvidos no mesmo.

Devemos buscar meios de nos valorizar, aliás, buscar a valorização negra; então, se aceite e saiba que é um ato revolucionário se amar e pensar em si acima de tudo. Lembra do que falei ali em cima sobre enxergar no outro? A partir do momento em que se enxergar, ter um relacionamento afrocentrado será uma coisa mais que comum. E mais, relacionamento é todo aquele em que há respeito, empatia, reciprocidade, cuidado e lógico, amor. O amor cura, e mesmo que nossa construção social tenha nos ensinado que não, nós merecemos amar e ser amados sim!

“A VALORIZAÇÃO DO NOSSO POVO É O ÚNICO MEIO DE FINALMENTE SERMOS LIVRES. ”

Espero muito que tenham gostado, reflitam e compartilhem com as (os) colegas. Até logo! ♥