Lugar de mulher é no estádio, na arquibancada, onde ela quiser!

Primeiramente, lugar de mulher é onde ela quiser.

É fato que há muito machismo no âmbito do futebol, as nossas jogadoras espalhadas nos quatro cantos do país é que o digam…, mas se você enquanto mulher e torcedora já passou por alguns questionamentos como: “O que é um impedimento”, “Você sabe o que é um tiro de meta”, “quem foi o maior artilheiro do seu time”, “só assiste futebol para ver bunda”, senta que hoje vamos além das quatro linhas do campo.

O que acontece é que em um país machista uma mulher torcer para um time é ter que provar constantemente que é um gênio do futebol, onde os homens duvidam que nós tenhamos competência para entender da capacidade técnica de um jogador tanto quanto eles;  para serem objetificadas como as lindas das arquibancadas como constam em listas disponíveis na internet, ou então serem “apreciadas” ao passarem as mais belas como nossa querida Rede Globo faz bem, sendo que não é bem assim. No dicionário a palavra torcer tem alguns significados, dentre eles: simpatizar com um clube esportivo; dar apoio ou esperar resultado positivo; desejar a vitória de um time, equipe, e incentivá-lo… perceba que em momento algum é citado que é necessário ser expert em futebol, né?!

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Foto: Daniel Teobaldo

“Foram as mulheres, aliás, que consagraram a expressão “torcer”. Como não ficava bem para uma dama se descabelar, gritar, chorar com seu time de coração, elas levavam para os estádios pedaços de pano, os quais torciam durante as partidas para aliviar a tensão. O hábito as fez ficar conhecidas como “torcedoras” e não demorou muito para o termo ser adotado para designar todos aqueles que compareciam com frequência as partidas no intuito de incentivar as equipes (CAPPELLANO, 1999, p. 28-29) “. A sociedade patriarcal diz que aquele [o estádio] não é lugar para mulher, porém, é também nas arquibancadas que a paixão vem à tona, e o chamado “sexo frágil” bate um bolão, cantando, gritando, xingando (quando necessário), torcendo, aplaudindo, e vibrando com cada lance.

Entretanto, para muitas mulheres amar seus times ou até mesmo dar a vida por eles como profissionais em campo ainda é uma luta diária contra a machismo e a invisibilidade seletiva. Mesmo com a presença das mulheres em algumas áreas dentro deste meio como por exemplo, nas arquibancadas onde concentram-se algumas torcidas organizadas femininas, e grande número de torcedoras, ainda é insuficiente, pois há espaços que precisam ser preenchidos como os cargos superiores dos times. A falta de representatividade feminina não é de hoje, como por exemplo, as comentaristas de futebol nos canais de esporte, as treinadoras, árbitras ou bandeirinhas que volta e meia escutam “volta para a cozinha”, “seu lugar não é aqui” ou até mesmo “vai posar para alguma revista masculina”.

O problema vem desde a divisão da educação física nas escolas onde as meninas são desencorajadas a jogar pois usam-se desculpas de que vão se machucar, que futebol é esporte para homens e menina tem que jogar vôlei, o “você vai ao estádio sozinha? “, “só vai para o estádio com algum familiar homem”, até assédio sexual nos estádios.


Uma questão para se pensar: as torcidas mineiras de Atlético e Cruzeiro tem o hábito de chamar uns aos outros de “Marias” e “Frangas”, como ouvimos em inúmeros outros gritos pelo Brasil os termos como “mulherzinha”. Pois bem, essa conduta soa sim como machismo ou uma maneira de desqualificar o outro, porque coloca-se em questão que o futebol não era lugar de mulher e só houvesse espaço para heterossexuais, o macho alfa. A questão é que o futebol nunca foi, nem nunca será um ambiente masculino, EXCLUSIVO para homens, temos que ter a consciência de que certas atitudes apenas reforçam o machismo e não podemos sustentar a rivalidade do futebol às custas do preconceito.

E por último, homens, parem de exaltar mulheres que entendem de esporte, especificamente, futebol, colocando as como raras, é mais comum do que vocês imaginam, podem acreditar. Em cada canto há uma mulher que gosta, torce, e entende sobre futebol, a diferença é que vocês procuram pelas especialistas no assunto para colocá-las em um pedestal. As fãs de futebol não são troféus, são como qualquer outra, que gostam de esporte da mesma forma, que tem como hobbie acompanhar seu time de coração, que curtem jogar uma partidinha no videogame e fazer uns gols. Exaltar é anular a pessoa como indivíduo e mais uma vez, duvidar da capacidade das outras mulheres de entender regras básicas.

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  1. Valorizem o futebol feminino tanto quanto o masculino, pois elas são jogadoras e não estão lá desfilando como muitos dizem, fica a dica.
  2. Nunca se sinta “menos” por não saber algo relacionado a futebol ou ao seu time, estamos aqui para aprender sempre.
  3. Se você se sente mal falando sobre qualquer assunto perto de uma pessoa, acredite, não é o assunto e sim a pessoa.
  4. Não busque saber do assunto só para impressionar alguém, não vale a pena ser superficial por ninguém. 
  5. Torça sim, demonstre amor pelo esporte ou pelo seu time, ocupe o espaço que é seu por direito!

E se quiser saber mais sobre estes assuntos e outros:

Esse é o Podcast do Conexão Feminista, que diz muito sobre o assunto; prometo que não vão se arrepender. E, este é o Grupa,  um grupo criado por mulheres que amam o Clube Atlético Mineiro e combatem o machismo e a discriminação dentro e fora das arquibancadas.

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